por Lucas Magalhães
Segurança na Uso de Medicamentos para Estudantes Universitários e Jovens Adultos
9 jan, 2026Se você é estudante universitário ou tem entre 18 e 25 anos, provavelmente já ouviu falar de alguém que usa remédios prescritos para estudar melhor, dormir mais ou lidar com a ansiedade. Mas o que muitos não sabem é que esse tipo de uso, mesmo que pareça inofensivo, pode ser perigoso - e muito mais comum do que parece.
Por que isso acontece?
A pressão acadêmica é o principal motor por trás do uso não médico de medicamentos. Muitos estudantes acreditam que tomar Adderall ou Ritalina vai dar um impulso na concentração, especialmente antes de provas ou entregas de trabalhos. E não é só isso: dormir mal, horários desregulados e o clima de festa que muitas vezes envolve a vida universitária criam um terreno fértil para o uso indevido de remédios.
Segundo dados da National Survey on Drug Use and Health, mais de 28% dos jovens universitários já usaram algum medicamento prescrito para alguém sem receita médica pelo menos uma vez na vida. E o pior: 75% desses casos envolvem estimulantes, como Adderall. Isso significa que, em uma turma de 40 pessoas, provavelmente mais de 10 já tiveram contato com esse tipo de uso.
Quais medicamentos são mais usados indevidamente?
Não são todos os remédios que são usados da mesma forma. Os três principais grupos são:
- Estimulantes - como Adderall, Ritalina e Vyvanse. Usados para melhorar o foco, mas podem causar taquicardia, ansiedade intensa e até ataques cardíacos em pessoas saudáveis.
- Analgésicos opioides - como Vicodin e OxyContin. Muitos os usam para aliviar dores, mas também para relaxar ou fugir da realidade. O risco de dependência é alto, e o uso prolongado pode levar à troca por drogas ilícitas como a heroína.
- Sedativos e tranquilizantes - como Xanax e Valium. Usados para dormir ou acalmar a ansiedade, mas podem causar confusão mental, perda de coordenação e, em combinação com álcool, parada respiratória.
Um estudo da Universidade de Missouri mostrou que 9% dos estudantes já usaram Adderall sem prescrição. E o pior: 60% desses remédios vêm de colegas - amigos, colegas de quarto ou até pessoas que conhecem na biblioteca. É comum ver alguém dizendo: “Tenho um extra, pega aí.” Mas isso não é generosidade. É risco.
Os perigos que ninguém fala
Tomar um remédio prescrito para outra pessoa não é como tomar um analgésico de farmácia. É como pilotar um avião sem treinamento. O corpo de cada pessoa reage de forma diferente. Um estimulante que faz alguém ficar focado pode fazer outro ter ataques de pânico. Um analgésico que alivia a dor de alguém pode causar depressão respiratória em você.
A pesquisa da Johns Hopkins aponta que o uso indevido de estimulantes aumentou em três vezes o número de internações por problemas cardíacos entre jovens de 18 a 25 anos entre 2005 e 2010. E isso não é coisa do passado. Em 2023, a prevalência de uso indevido de estimulantes entre estudantes universitários subiu para 7,2% - um aumento de 1,8 ponto percentual desde 2018.
Além disso, muitos não sabem que esses remédios podem piorar a saúde mental. Quem toma Adderall para estudar pode acabar com insônia crônica, depressão ou até pensamentos suicidas. E quando o efeito passa, o colapso é ainda pior: cansaço extremo, irritabilidade, dificuldade de concentração - exatamente o oposto do que se queria.
Como os remédios chegam até você?
A maioria dos estudantes não compra esses remédios na internet ou em ruas escuras. Eles vêm de pessoas que têm receita - e que os compartilham sem pensar nas consequências.
Um levantamento feito na Universidade da Califórnia descobriu que 42% dos estudantes sabem exatamente onde pegar estimulantes sem prescrição no campus. Em muitos casos, é um amigo que tem uma receita para TDAH e “sobra” um comprimido. Ou um parente que deixou um frasco de Xanax em casa e o estudante “empresta” para dormir antes de uma prova.
Essa prática é tão comum que quase dois terços dos estudantes universitários dizem que já foram oferecidos remédios prescritos para uso não médico durante a graduação. E 31% já usaram pelo menos uma vez.
O que você pode fazer para se proteger
Segurança medicamentosa não é só sobre não usar remédios alheios. É sobre saber como armazenar, usar e descartar os seus próprios remédios.
- Guarde os remédios em local seguro - Use caixas com fechamento hermético e evite deixar remédios na mesa de cabeceira ou na bolsa. Muitos casos de uso indevido começam com remédios fáceis de acessar.
- Não compartilhe nada - Mesmo que seja um remédio que você toma com prescrição, não dê, empreste ou venda. Isso é ilegal e perigoso.
- Descarte corretamente - Muitas universidades têm pontos de descarte de medicamentos. Não jogue remédios no vaso, no lixo comum ou na pia. A água da torneira e o solo podem ser contaminados. Em muitos campi, há caixas de descarte em farmácias ou centros de saúde.
- Use apenas com prescrição e orientação - Se você sente que precisa de um remédio para dormir, estudar ou lidar com a ansiedade, fale com um profissional de saúde. Não se automedique.
O que as universidades estão fazendo?
As coisas estão mudando - lentamente, mas mudando. Em 2010, apenas 28% das universidades tinham coordenadores dedicados à segurança medicamentosa. Hoje, são 73%. Em 2023, mais de 1.400 instituições nos EUA tinham programas completos de prevenção.
Programas como o “Safe Meds” da Universidade da Flórida reduziram o uso indevido de estimulantes em 18% em dois anos, ao fornecer caixas de armazenamento seguras e pontos de descarte espalhados pelo campus. Outro exemplo é o “Wolverine Wellness” da Universidade de Michigan, que combinou educação sobre medicamentos com suporte acadêmico - e conseguiu reduzir o uso de estimulantes em 22% e aumentar o uso de coaching acadêmico em 47%.
As farmácias dos campi agora treinam farmacêuticos para identificar estudantes em risco. E a FDA aprovou novas formulações de medicamentos com bloqueio de abuso - que dificultam a ingestão por via nasal ou injetável. Dados da Universidade de Purdue mostram que essas versões reduziram o uso indevido em 15%.
Se você já usou, o que fazer agora?
Se você já tomou um remédio prescrito de outra pessoa, não se sinta culpado - mas não ignore o que aconteceu. Pergunte-se:
- Por que eu fiz isso?
- Como me senti depois?
- Estou usando isso como solução para algo maior - como estresse, ansiedade ou sono?
Se a resposta for sim, procure ajuda. Muitas universidades oferecem atendimento psicológico gratuito. Alguns centros de saúde têm programas de orientação para uso de medicamentos. E se você tem medo de ser julgado, saiba que isso é mais comum do que você imagina - e ninguém te julgará por querer se cuidar.
Alternativas reais ao uso de remédios
Você não precisa de Adderall para ser produtivo. O que realmente funciona:
- Horário de sono fixo - Dormir 7 a 8 horas por noite melhora a memória e a concentração mais do que qualquer estimulante.
- Técnica Pomodoro - Estude 25 minutos, descanse 5. Repita. Isso evita o esgotamento mental.
- Exercício físico - Mesmo 20 minutos de caminhada acelerada aumentam a liberação de dopamina e serotonina - substâncias que melhoram o foco e o humor.
- Suplementos naturais - Caffeine em doses moderadas (café ou chá verde) e magnésio podem ajudar sem riscos.
- Procurar apoio acadêmico - Se você está se sentindo sobrecarregado, fale com um orientador acadêmico. Muitas universidades têm programas de coaching, revisão de tarefas e gerenciamento de tempo - e são gratuitos.
As universidades não estão falhando porque não querem ajudar. Elas estão lutando contra uma cultura que normaliza o uso indevido. Mas você pode ser parte da mudança - começando por si mesmo.
Seu corpo não é um laboratório
Tomar um remédio que não foi feito para você é como usar o carro de outra pessoa sem saber como funciona. Pode parecer que tudo vai bem até que algo dê errado - e aí, pode ser tarde demais.
Seu desempenho acadêmico não depende de um comprimido. Ele depende de sono, alimentação, apoio e estratégias reais de estudo. E se você está se sentindo sobrecarregado, não é fraqueza. É sinal de que algo precisa mudar - e você não precisa resolver isso sozinho.
É seguro tomar um remédio prescrito de um amigo?
Não. Mesmo que o remédio seja prescrito, ele foi feito para outra pessoa, com base em seu histórico de saúde, peso, alergias e condições médicas. O que funciona para alguém pode ser perigoso para você. Tomar remédios alheios é ilegal e pode causar efeitos colaterais graves, como aumento da pressão arterial, ataques cardíacos, ansiedade intensa ou dependência.
O que fazer se alguém me oferecer um remédio para estudar?
Diga não com clareza. Você pode dizer: “Obrigado, mas não quero correr riscos com remédios que não são meus.” Se a pressão for grande, fale com um conselheiro do campus. Muitas universidades têm programas de apoio para estudantes que enfrentam pressão para usar drogas. Você não está sozinho.
Como descartar remédios que não uso mais?
Nunca jogue remédios no vaso, no lixo comum ou na pia. Muitas universidades têm caixas de descarte seguras em farmácias, centros de saúde ou bibliotecas. Se não houver uma no seu campus, procure farmácias locais - muitas aceitam remédios vencidos ou não utilizados. Descartar corretamente evita contaminação do meio ambiente e impede que outras pessoas usem indevidamente.
Se eu tiver ansiedade ou insônia, posso pedir remédios à universidade?
Sim. A maioria das universidades tem serviços de saúde mental gratuitos ou de baixo custo. Psicólogos, psiquiatras e enfermeiros podem ajudar com terapia, técnicas de relaxamento, higiene do sono e, se necessário, prescrição adequada. Não espere até que o problema piore. Procure ajuda antes.
Quais são os sinais de que alguém está abusando de medicamentos?
Sinais comuns incluem: mudança repentina de comportamento, perda de interesse em atividades, insônia ou sono excessivo, perda de peso, irritabilidade extrema, frequência de visitas à enfermaria, ou uso constante de remédios “para estudar” ou “para dormir”. Se você notar isso em alguém, ofereça apoio - não julgamento. Às vezes, só precisam saber que alguém se importa.
Próximos passos
Se você é estudante:
- Verifique se a sua universidade tem um programa de segurança medicamentosa - e participe.
- Guarde seus remédios em um local trancado, longe de colegas.
- Conheça os pontos de descarte de medicamentos no campus.
- Fale com um profissional de saúde se estiver com dificuldades para dormir, estudar ou lidar com o estresse.
- Seja parte da solução: não compartilhe, não pressione, não ignore.
Se você é amigo, colega ou colega de quarto:
- Se alguém te oferecer remédio, diga não - e ofereça outra solução.
- Se notar alguém em crise, fale com um conselheiro. Não espere até que algo pior aconteça.
- Compartilhe informações reais - não mitos. A maioria dos estudantes não sabe o risco real que correm.
Segurança medicamentosa não é sobre proibir. É sobre informar, proteger e cuidar. E isso começa com você.
MARCIO DE MORAES
janeiro 10, 2026 AT 22:20Isso é sério, gente. Eu já vi um colega de quarto tomar Ritalina antes de prova e acabar no hospital com taquicardia. Não é brincadeira. E o pior? Ele achava que era "só um impulso". Mas o corpo não é um videogame que você recarrega com cheat code.
Se você tá cansado, durma. Se tá ansioso, fale com alguém. Não precisa de pílula mágica pra ser bom. Só precisa de coragem pra admitir que não precisa disso.
Eu tenho TDAH e tomo Ritalina com receita. Mas nem em sonho eu daria um comprimido pra alguém. É crime, é perigoso, e é uma merda que a gente ainda normaliza isso.
Vanessa Silva
janeiro 11, 2026 AT 13:24Ah, claro. Outro artigo de "santos da saúde mental" que ignora a realidade. Você acha que estudante brasileiro tem tempo pra dormir 8 horas? Que tem acesso a coaching gratuito? Que não precisa trabalhar 30h por semana pra pagar faculdade?
Enquanto vocês discutem "descarte correto" de remédios, eu tô acordado às 3h da manhã fazendo 5 trabalhos com café solúvel e energia de raiva. Não é irresponsabilidade. É sobrevivência.
E se alguém me empresta um Xanax pra dormir antes de uma prova? Melhor que ficar acordado pensando se vou perder o semestre. A culpa é da estrutura, não do cara que toma o remédio.
Giovana Oliveira
janeiro 12, 2026 AT 20:09MEU DEUS, QUE ARTIGO DE TIA QUE VEM DO PASSADO! 😭
Então, vocês querem que a gente use Pomodoro e café verde enquanto a faculdade tá cobrando 15 trabalhos em 3 dias e o professor não responde e-mail? Sério? 🤡
Eu já usei Adderall. E sim, foi um erro. Mas não por causa do remédio - foi por causa da minha universidade que me tratou como máquina. Agora eu tomo melatonina, faço yoga e leio poesia. E ainda assim, se tiver um extra de Ritalina na mesa? Ainda pego. Porque não sou santa. Sou humana.
Se vocês querem mudar isso, parem de falar de "descarte correto" e comecem a dar apoio real. Senão, isso aqui é só terapia de classe média com cheiro de sabonete de lavanda.
Patrícia Noada
janeiro 13, 2026 AT 08:36Eu adoro quando alguém fala sobre isso com seriedade, mas sem ser chato 😊
Na minha universidade, tem uma caixa de descarte de remédio na biblioteca. Eles até dão um cupom de café pra quem descarta! Isso é genial.
E sim, já tive um amigo que "emprestou" um Xanax... e depois chorou por 3 dias porque ficou viciado. Não vale a pena. A vida acadêmica já é pesada o suficiente - não precisa adicionar risco de morte na conta.
Se você tá se sentindo assim, fala com alguém. Não precisa ser um psicólogo. Pode ser seu colega de sala. Às vezes, só precisamos saber que não estamos sozinhos ❤️
Hugo Gallegos
janeiro 14, 2026 AT 13:49Todo mundo toma remédio. O que tem de errado? Se o cara tem receita, ele tá legal. Se eu pego um que sobrou? Tmbm tá legal. É só um comprimido.
Se tu não usa, ótimo. Mas não fica falando que é perigoso. É só marketing da FDA e das universidades pra controlar a gente.
Eu tomo Ritalina de vez em quando. E não morri. Nem fiquei viciado. A vida continua. 🤷♂️
Se tu tá com medo, não toma. Mas não julga quem toma. É vida, não filme de terror.
Rafaeel do Santo
janeiro 14, 2026 AT 17:58Estamos discutindo sintomas, não causas. O problema não é o medicamento, é o modelo de produção acadêmica neoliberal que transforma estudantes em unidades de output.
Os estimulantes são apenas uma adaptação comportamental a um sistema que exige performance constante sem suporte estrutural. A solução não é moralização - é reestruturação do tempo, carga e avaliação.
Coaching? Pomodoro? Isso é banda aid. Precisamos de políticas públicas, não dicas de produtividade. Se a universidade não te dá espaço pra respirar, não adianta falar de descarte correto.
É sistema, não escolha individual.